
Não existem duas pessoas iguais. Cada rosto, cada impressão digital, cada história de vida é singular.
Parece que todos viemos ao mundo com missões pré-definidas, embora muitos não consigam realizá-las. Alguns indivíduos são bem sucedidos, outros não. Raros são lembrados através dos séculos. Muitos são esquecidos ainda em vida. Diversos fatores estão em jogo como a sorte, o azar, os relacionamentos e o mérito pessoal, mas, somente nesses dois últimos podemos interferir.
As pessoas que se destacam na vida favorecidas pela sorte, normalmente não são lembradas muito além do seu tempo.
A História prefere se ocupar daqueles que se realizam às custas dos próprios esforços, não somente pelo que fazem, mas, principalmente, pelo que foram capazes de renunciar.
Mas, será que alcançar o sucesso implica, necessariamente, abrir mão dos prazeres da vida? Será que é imprescindível assumir grandes sacrifícios ou as pessoas de sucesso simplesmente gostam de fazer coisas que a maioria da população detesta?
E.M.Gray, autor do ensaio The Common Denominator of Success, tendo investigado a vida de centenas de celebridades, concluiu que: o denominador comum entre as pessoas bem sucedidas não é o trabalho duro, nem a boa sorte ou o relacionamento perspicaz com os outros. Os indivíduos bem sucedidos têm o hábito de fazer coisas que os fracassados não gostam de fazer. Eles também não gostam, mas sua contrariedade se subordina à força de seus propósitos.
Os adolescentes, na sua maneira peculiar de enxergar a vida, acham que as pessoas mais velhas não sabem o que é bom. Dizem que os pais reclamam de tudo e só pensam no trabalho. No entanto, estão enganados! Todo mundo gosta do conforto material, de comer bem, beber, divertir-se etc. Quem não curte passar uma tarde de sol na praia cercado de gente bonita?
Se nós gostamos das mesmas coisas os nossos valores são praticamente iguais. Por que, então, somos tão diferentes? “Porque, normalmente, o que diferencia as pessoas não são seus valores, e sim, o modo como elas os hierarquizam”.
Quando buscamos conhecimento, amor, dinheiro, saúde e beleza, em última análise, estamos todos em busca da felicidade.
A felicidade é um anseio universal, um valor fundamental que deveria constar em primeiro lugar na lista de todos. A seguir, cada qual deve compor a sua, considerando que, normalmente, a diferença entre as pessoas comuns e as pessoas de sucesso reside na disposição hierárquica desses valores.
A saúde deve ser incluída no mesmo plano da felicidade. Quem já passou por momentos de dor e sofrim ento sabe perfeitamente que o bem estar é uma dádiva de valor inestimável. Quando ficamos doentes, tudo o mais perde o sentido! No entanto, se colocarmos a saúde no alto da lista, a maior parte dos prazeres dos sentidos como a ingestão copiosa de bebidas alcoólicas, o fumo, a gula etc., terão que ser menos valorizados. Contudo, para alguém que vive praticamente em função dessas “recompensas sensoriais”, rebaixá-las para um plano inferior parece colocar em jogo a própria felicidade e o sentido da vida. Essa constatação é tão contraditória que merece uma reflexão responsável.
Ser responsável significa muito mais do que responder pelos próprios atos. Alguém que, embriagado, provoca um acidente, admite a própria culpa e indeniza as vítimas, não deixa de ser irresponsável. Como o próprio nome traduz, respons...abilidade é a habilidade de escolher as próprias respostas. Em outras palavras, é a capacidade de prever as conseqüências futuras dos seus atos e, quando necessário, modificá-los com base em tal previsão.
O sexo é gratificante, entretanto, alicerçado na mentira e na traição, acaba gerando mais dissabores do que prazer e alegria. Portanto, é manifestação de lucidez e maturidade colocar determinadas virtudes como o amor, a honestidade e a sinceridade num plano acima do envolvimento sexual, logo abaixo da saúde e da felicidade.
A lista é extensa e muito particular. Mas, em linhas gerais, desejamos as mesmas coisas e seremos mais bem sucedidos na vida na medida em que colocarmos em primeiro plano as coisas mais importantes e não as mais agradáveis.
Num primeiro momento, pode parecer que vamos nos privar de grandes prazeres; porém, ao longo da vida, seremos recompensados com os resultados, pois a verdadeira felicidade para o ser humano não reside nos prazeres dos sentidos, e sim, nos “prazeres morais”, próprios de uma existência plena de realizações e conquistas ao invés da fuga da realidade por meio do entorpecimento dos sentidos.
A ciência demonstrou recentemente que os “prazeres morais” não são tão “transcendentais” como se imaginava. Nosso cérebro, num processo de auto-recompensa, aumenta a produção de moléculas do prazer e da felicidade quando realizamos algo de valor moral elevado. Parte dessas substâncias cai na circulação sangüínea e difunde-se por todo o corpo, provocando uma sensação de bem estar geral que não se origina dos órgãos dos sentidos, mas possui a mesma representação química e provoca o mesmo enlevo e satisfação.
A vida merece ser celebrada e os prazeres dos sentidos fazem parte da nossa existência! Agindo com sabedoria, não precisaremos nos submeter a privações monásticas. A virtude está no equilíbrio e na ponderação. O sucesso que buscamos, apesar de ser tão relativo e pessoal, traduz-se pela realização progressiva de objetivos compensadores e pela felicidade que experimentamos quando avançamos na direção certa, transformando sentimentos em ações e estabelecendo uma concordância íntima entre a nossa essência e a nossa existência.
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