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..::: O mesmo homem e a nova economia.






Não sabemos que nome os futuros historiadores darão ao nosso tempo: a era do conhecimento, a era da descontinuidade, a era das mudanças, a era da comunicação, a era do relacionamento? O fato é que vivemos numa nova sociedade (sociedade pós-industrial ou pós-capitalista) e há uma Nova Economia em curso, ou seja, uma nova maneira de produzir, distribuir e consumir bens e serviços.  Conscientes disso, ou não, somos todos protagonistas desse processo.

A sociedade do conhecimento (sociedade pós-industrial ou pós-capitalista), ainda na fase de maturação, já denota uma forte personalidade. Os mega-investidores internacionais têm apostado muito no sucesso das Empresas do
Conhecimento. Todos os dias uma imensa soma de valores é negociada na NASDAQ (National Association of Securities Dealers Automated Quotations), situada na Times Square em New York. Esse valor torna-se pequeno comparado com o valor movimentado pela a NYSE (New York Stock Exchange), situada na Wall Street, a maior bolsa de valores do Planeta. Embora seja quase dois séculos mais jovem do que a NYSE, a Nasdaq exibe em seu portfólio algumas das mais badaladas empresas da Economia do Conhecimento como a Google, Dell, Microsoft, Amazon.com, Oracle, Sun Microsystems e a Apple.

Mas nem todos aceitam naturalmente a existência de uma Nova Economia e a denominação proposta por Drucker de Trabalhadores do Conhecimento.
alan greenspan
Muitas pessoas de grande prestígio no mundo dos negócios, entre elas Jack Welch e o economista Allan Greenspan entendem que não existe uma “Nova Economia” e sim “Novas Tecnologias” (cuja mola propulsora é a Internet), aplicadas à mesma “velha economia”.

Entretanto, não há como negar que, nos últimos 50 anos, ocorreram grandes mudanças na esfera econômica. O “conhecimento” aplicado intensamente na geração de riquezas está provocando transformações na vida da humanidade comparável às que ocorreram durante a passagem da era agrícola para a era industrial.

Quando nos referimos a uma Nova Economia, estamos falando de um mundo em que, pela primeira, vez as pessoas estão usando mais o cérebro do que as mãos. O marketing, a inovação e a criatividade tornaram-se mais importantes do que a produção, atividade essa cada vez mais terceirizada e automatizada. O grande diferencial competitivo na corrida pelo sucesso tornou o ser humano o ativo intangível de maior valor nas empresas da nova economia. Falamos de um mundo globalizado, em que a informação se multiplica e difunde com tal velocidade que os diplomas tornaram-se produtos rapidamente perecíveis. Falamos de um ambiente de negócios em que já não sabemos quem são os nossos concorrentes e os empregos vitalícios estão em processo de extinção!

A fase do conhecimento aplicado largamente à prestação de serviços e à produção de riquezas tem apenas 50 anos e ter conhecimento já não é o bastante.  As organizações de ponta são aquelas que aprendem mais depressa que as concorrentes (learning organizations). Nesse contexto ergue-se uma nova onda, a onda do conhecimento aplicado ao próprio conhecimento acelerando ainda mais a sua multiplicação: criatividade gerando criatividade.
A velocidade das mudanças no setor de comércio e produção de bens de consumo tornou-se alucinante. A globalização alastrou-se como uma epidemia, notadamente em alguns setores, como o financeiro, fortemente impulsionado pelo dinheiro eletrônico. A contrapartida da “informatização monetária” foi a “monetarização das informações”.  Uma informação financeira privilegiada chega a valer bilhões de dólares.  O “vazamento” de informações, associado à queda das barreiras ao fluxo de capitais, ensejou uma série de ações espoliativas por parte de mega-investidores (apostadores) internacionais, acirrando a selvageria do capitalismo moderno. Na “sociedade pós-capitalista”, o capitalismo tornou-se ainda mais selvagem.
Alguns consultores futurólogos já apontavam esse fenômeno há muito tempo. Em 1987, Alvin Toffler publicou no jornal The New York Times um trabalho, alertando que, embora fosse salutar para o comércio internacional reduzir as barreiras contra o fluxo de capitais através das fronteiras nacionais, precisávamos criar medidas de segurança, para coibir a migração predatória do capital improdutivo.  Eliminar todas as barreiras contra o fluxo de capitais é o mesmo que construir um transatlântico sem compartimentar os porões. Um rombo em qualquer parte do casco provocaria uma catástrofe.

Tais previsões já se concretizaram. Hoje estamos todos no mesmo barco. Uma crise econômica num distante país asiático provoca um efeito cascata em bolsas do mundo todo, lesando principalmente os pequenos e médios investidores, que não possuem mecanismos de proteção aos seus investimentos.

Num ambiente de mudanças tão drásticas, ninguém consegue sentir-se seguro e tranqüilo. Os próprios americanos, donos da economia mais vigorosa do planeta, estão ansiosos e angustiados com a perspectiva de uma grave recessão que pode acontecer a qualquer momento, a exemplo do que ocorreu em 1929. Quase todo mundo vive estressado e o custo desse mal é terrível. Segundo estudos recentes, os E.U.A. gastam cerca de 200 bilhões de dólares por ano em absenteísmo, queda da produtividade e doenças e acidentes relacionados com o stress.

Atravessamos uma fase de muita instabilidade, definitivamente imprevisível, em que a única segurança profissional que podemos almejar é a manutenção da nossa empregabilidade por meio do aprendizado contínuo.

Nesse momento, impõe-se uma reflexão: será que estamos preparados, do ponto de vista evolutivo, para suportar a tremenda pressão psicológica a que nos submetemos? Se considerarmos o número de doenças de fundo emocional, o consumo de drogas, o stress e a desmotivação epidêmica que assola o mundo civilizado, podemos afirmar que o “velho” homem não está pronto para a “nova” economia, ou seja, não estamos preparados, do ponto de vista fisiológico, para conviver com tal volume de mudanças. 

Esse fenômeno está exigindo das organizações um novo modelo de gerenciamento de pessoas denominado gerenciamento holístico ou integralizado. Um empregado não pode mais ser visto apenas como “mão de obra” em tampouco, como uma “mente” a serviço da organização.  Ele precisa ser compreendido holisticamente em suas três dimensões: mente, corpo e espírito.

Quase todas as pessoas são bastante afetadas pela ansiedade.  E só existem duas explicações para o caso daquelas que enfrentam a imensa pressão da vida moderna, sem sofrer problemas de saúde: ou elas possuem mecanismos genéticos de defesa contra o stress que as tornam naturalmente resistentes, ou aprenderam a desenvolver mecanismos de defesa contra as pressões psicológicas “compartimentando” o seu ser, de forma a impedir que a mente e o corpo sejam atingidos, simultaneamente, por um mesmo problema. Os que não se enquadram em um desses grupos, estão sendo submetidos ao processo de seleção natural das espécies que acabará eliminando os menos aptos a sobreviver num ambiente de mudanças.

Mas, “ser inteligente” não é o bastante para desenvolver esses mecanismos de defesa. É preciso também uma boa dose de sabedoria. Os mais sábios conseguem saborear a aventura da vida com toda a diversão e magia que ela encerra, procurando manter um distanciamento emocional dos problemas e concebendo as incertezas como um ingrediente misterioso e fascinante da nossa existência.

Se, mais uma vez, os futurólogos estiverem certos, o furacão das mudanças deverá persistir e a sua força de “criatividade destrutiva” aumentará ainda mais nas próximas décadas. Os mais sábios, certamente, encontrarão uma maneira de se posicionar no “olho desse furacão”, estabelecendo voluntariamente novas conexões nervosas por meio das quais os pensamentos conscientes sejam postos a serviço do equilíbrio fisiológico e da tranqüilidade emocional.

 

Wanderley Pires
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